segunda-feira, 21 de março de 2011

Boa Notícia



Segue EMAIL que recebi hoje do SINERGIA - Sindicato dos Eletricitarios de Florianopolis

Estava sendo aguardada com muita expectativa pelos participantes a relação dos trabalhos selecionados no 7o Concurso Conto e Poesia do Sinergia. Realizado em nível estadual, há 20 anos, o concurso tem se constituído como uma das mais importantes iniciativas na área em Santa Catarina.

Com a certeza de estar dando sua contribuição à produção cultural brasileira, o Sinergia busca com esse concurso literário cumprir um importante papel de propiciar espaços que contribuam para o exercício crítico e criativo dos trabalhadores.

Veja abaixo a relação dos trabalhos classificados e respectivos autores. Fizeram parte da comissão selecionadora de Conto: Dennis Radünz, Maria Tereza Queiroz Piacentini e Olsen Jr. e de Poesia: Fábio Brüggemann, Fê Luz e Alai Garcia Diniz.

Os 45 trabalhos selecionados serão reunidos em antologia que será lançada no segundo semestre de 2011, em Florianópolis.

O Sinergia agradece a participação de cada um e parabeniza os selecionados.

Maiores informações com o diretor de cultura do Sinergia Sigval Schaitel pelos telefones 48 8829-5929 / 48 3879-3011 ou pelo e-mail sinergia@sinergia.org.br.

CONTO
A chegada do “alemão” .......................................Sérgio Roberto Gouveia
A espera ...............................................................Luiz Carlos Borba Garcia
Galinha dos ovos de ouro ....................................José Paulino Junior
Habla! Parla! Speak! Fala! ...................................Mariana Avallone Merigo
Miolo (Cânticos para ninar pirados e piradas) .....Gilberto Pinto da Motta
Não se pode falar das coisas, mas elas existem ....Luiz Henrique De Nadal
Nobres deputados ...............................................Nelson Blank
O Ladrão de grama ...............................................Bárbara Raphael Baptista Pereira
Os Tolos dos Tolos ................................................Vitor Pacheco Júnior
Percival ................................................................Alberto Marcio Albano
Ritual de alumbramento .....................................Suyan de Oliveira de Melo
Sobrevida ............................................................Anacreonte Fonjic
Sorriso de Antonio ..............................................Stefano Roberto Moysés Colucci
Velhos corações imaturos .................................. Evandro Duarte
Viver é perciso ...................................................Rafael Reginato Moura

POESIA
A Mosca O livreiro A Lâmpada ............Maria Selenir dos Santos
As letras que trocavam o menino (dislexia) ....Marco Antonio Stello
Balada on the Road ..............................Raquel Wandelli
Barranco ............................................Leandro Richard da Silva
Cachecol ............................................Ivone Daura da Silva
Camarotes e parapeitos ......................Daniela Bunn
Canção do Mar de São Miguel ..............Júlio César Ramos
Contingente ........................................Jadna Pizzolotto
Corações ao alto ................................Marcio Dison
Cronos indesejado ..............................Silvério Ribeiro da Costa
Dente por dente ..................................Vanildo Machado
Divagar... ...........................................Adriana da Silva Bunn
Endereço ...........................................Vanildo Machado
Epopéia poética .................................Daniele Souza Freitas
Esquecer ............................................Jociclen Regina Fischer
Essa gente .........................................Suyan de Oliveira de Melo
Estações ............................................Conceição Aparecida Pereira Debarba
Estrelas ..............................................Suzana Mafra
Eu e ela ..............................................Aldo Guido Votto
Fissura por mensura ...........................Bárbara Raphael Baptista Pereira
Florbela não Espanca ...........................André Berté
Monange ...............................................Karine Santos
Natureza ..............................................Daniel Passos
Pequeno reflexo ...................................Paulo Rutigliani Berri
Poema Práxis ........................................Otávio Marhofer Dutra
Pornaso ...............................................José Luiz Amorim
Soldado sem sentido .............................Evandro Duarte
Tempo ..................................................Aldo Guido Votto
Transitivo .............................................Jairo Ferreira Machado
Três pedaços ........................................Leandro Richard da Silva


Sinergia: 20 anos de ação cultural.

terça-feira, 15 de março de 2011

O Milagre


Sua alma estava seca, tanta lágrima havia corrido em sua face que agora o que existia era uma sensação de vapor, uma espécie de fumegante névoa de dor e secura nos cílios. As remelas nos olhos inchados pareciam catarata que lhe escurecia a vista e obstruía a triste imagem do filho ali deitado. A cabeça pendia sobre ombros desumanamente caídos. Na mesa central o pequeno e fúnebre caixão. Os pensamentos já estavam desconexos, já não existia mais perguntas a serem clamadas, já não existia mais lógica nenhuma, nem mesmo nos sentimentos e no pesar dos outros.
Todos os abraços e mãos as costas eram como toques fantasmagóricos, sem sentido algum, apenas contato frio e inútil. Uma tontura insistia em ir e vir, obrigando seu corpo desgraçado a ficar sentado numa cadeira mirando o chão. Com a cabeça baixa, como não poderia deixar de ser, observou pendurado no próprio pescoço seu crucifixo. Pensou na própria fé.
Onde está você? Pensou. Onde está você agora? Insistiu no pensamento. A pequena cruz com o pequeno Cristo balançava devagar e hipnótica.
Num ato desesperado e absoluto abriu com firmeza os olhos e deixou pingar uma ultima e grossa lágrima no chão. Fixou firme o olhar no salvador e fez uma derradeira oração em pensamento:
- Por tudo de mais sagrado, por tudo que eu possa dar e tudo que eu possa querer. Ponha-me nessa cruz, me entregue essa sua dor, coroe-me com esses espinhos, açoite-me com mil chicotes, atravessa-me com cravos e rasgue-me com uma lança. Mas meu Senhor, meu ultimo refugio e meu oásis, pelo amor de seu Pai e pelo amor por minha criança, que agora está ali naquela mesa. Permita-me a graça de um milagre, ressuscite minha Fé e minha criança, ou ignore minha pobre alma, mas faça pela criança. Jogue-me no inferno se preciso e lá lhe serei grato. Qualquer coisa, qualquer modo, qualquer preço, mas salve ela do mundo dos mortos, traga-lhe de volta para os demais, traga-lhe de volta para viver um tempo digno.
Como que por loucura ele sentiu um sussurro nos ouvidos, quase um zumbido:
- Sem Fé, não há milagres, sem Fé não há milagres.
Sentiu um tremor na alma, pois aquilo pareceu uma resposta, mesmo que talvez fosse apenas um devaneio. Apegou-se aquilo como uma semente, uma fagulha de chance. Foi naquela fração que lhe veio a solução. Caiu de joelhos e vociferou o resto de sua oração:
- Um SONHO, isso! Faça disso tudo um sonho! Um pesadelo que estou tendo. Se minha fé não alimenta um milagre, então faça disso tudo um sonho, faça disso tudo um maldito sonho! Um homem sem fé não pode ter milagres, mas pelo menos pode sonhar. Meu pequeno e sofredor Cristo, minha vida poderá até virar um pesadelo depois, mas nesse momento, diga-me que isso não passa de um sonho, por favor.
Um barulhinho na mesa fez o homem levantar a cabeça e os demais voltar-se para o caixão. A pequena criança levantou primeiramente os braços e em seguida abriu os olhinhos e dai levantou o corpo. Um burburinho se fez. Vozes exaltadas, choro, sorrisos.
- Um Milagre. Alguém disse mais alto.
O pai levantou da cadeira e abraçou a criança aos prantos. Era um milagre. E ele começou a gritar:
- Desse-me um milagre, mesmo sem Fé! Desse-me um milagre mesmo sem Fé!
A felicidade daquele instante era algo fora do comum, algo como um delírio, algo como se ele estivesse...





...Sonhando.

...

Quando abriu os olhos, estava no chão sendo acudido pelos parentes e amigos.
- Você desmaiou e deve ter tido algum sonho. Disse-lhe o primo.

Todos ainda estavam por ali. Todos de preto e tristes e no pequeno caixão ainda estava inerte a dor da realidade.

Sem Fé não há milagres, lembrou o infeliz ali deitado no colo do primo. No entanto lá dentro de seu coração uma minúscula chama lhe aqueceu. Talvez o sonho não tivesse acabado e esse pensamento, essa chama, talvez fosse: FÉ.