terça-feira, 10 de março de 2009

Exemplos de Vida


Uma das coisas que aquele jovem mais se preocupava era com sua imagem perante aos amigos mais pobres. Morador de um condomínio de luxo, João precisava mostrar para todos que os ricos também podem ser pessoas honestas. Ele ouvia sempre de colegas do colégio que o cara pra ter grana deveria ser um pilantra, talvez traficar drogas, ser golpista ou contrabandista graúdo, e claro tinha aqueles que haviam nascido com o bumbum virado pra lua; este seria o caso dele. João detestava esses comentários, ele já sabia de cor a história de seu pai, um homem de visão e trabalhador, que da pobreza conseguiu criar um império no mundo dos negócios. João orgulhava-se do velho. Sua vida era bem movimentada, tinha aulas de inglês, fazia artes marciais, praticava tênis, natação. Para tudo isso ele ia de um lado a outro sempre com chofer e segurança. Seu dia a dia era uma correria.

João tinha amigos normais, saiam na balada, curtiam garotas, festas Rave, gostavam de bebidas e agitos. Apesar de ter nas veias o fumegante sangue da juventude, João não se excedia, era ponderado nos horários, cumpria seus compromissos, dedicava-se nos estudos e tinha boa relação com todos que conhecia. Enfim, João era o que chamavam de “um bom garoto.”

Certa vez, numa festa temática organizada por um empresário amigo de um tio, João observou que outro jovem estava oferecendo, o que parecia ser cocaína, a um grupo de garotas. O rapaz aproximou-se e deixou que o fornecedor percebesse a sua presença. Em seguida disse:

--- Cara, isso não vai te levar para um bom caminho!

--- Te perguntei alguma coisa?

--- Estou falando para o seu bem, isso ai é péssimo!

--- Cala a boca “playboizão” , se não queres, sai fora e não atrapalha!

João lamentou com a cabeça, mas abriu caminho para o outro sair. Depois disso, João foi questionar as receptoras:

--- Vocês costumam fazer isso aqui?

--- Quer um teco riquinho chupa cabra? Se quiser, vá lá comprar o seu.
Dito isso, saíram gargalhando.

O rapaz então retirou-se um tanto quanto transtornado, lamentou, porém voltou para os amigos e para a festa.

....


No dia seguinte, o pai de João folheando o jornal, ficou surpreso com o que leu: Traficante é morto com três tiros em festa temática.

Num pulo o homem foi até o quarto ver o filho, que ele sabia ter ido àquela festa. O rapaz estava lá ainda debaixo das cobertas.

--- João, João. Acorda. Você ficou sabendo disso?

O rapaz ainda sonolento senta-se na beira da cama e olha o jornal.

--- Ah? O sim, esse rapaz eu vi lá ontem. Ele estava mesmo fornecendo droga. Mas não se preocupa pai, ele trabalhou pouco. Eu falei com o Danilo e o Xerém.

--- O que? Tá louco rapaz? Tú mandou apagar o filho do meu amigo que estava começando no negócio.

O rapaz, agora com o olhar arregalado respondeu:

--- Porra pai, como é que o senhor coloca um sujeito novo na parada e não diz nada. Pensei que era concorrente.

--- E desde quando tu escutas o que eu falo? O guri, tu só quer saber de estudar e nem te liga nos nossos negócios, e quando resolve “ajudar” um pouquinho me vem com uma cagada dessas. Se fosses mais participativo, essas coisas não aconteceriam.

--- Pô pai, desculpa vai. Foi mal. O carinha lá me irritou né?

--- Vou ver o que posso fazer lá em relação ao chefe. Tua sorte é que o Siqueirão detesta o Danilo e o Xerém. A gente depois inventa uma coisa e os dois vão pro saco. Agora volta a dormir garoto.

O homem passou a mão na cabeça do rapaz e saiu do quarto.

João voltou para a cama e ainda pensou:

--- Meu pai é o cara.

2 comentários:

Giovani disse...

Hoje li todos os contos. Fora esses dois últimos, que não gostei muito, legaizões!

Festa [i]H[/i]ave? Hahaha!! Rave!!

Vitor P Jr disse...

Hahahahaha.

Logo vi, eu escrevi Have e sabia que tinha alguma coisa errada ali.

Mas não saquei :)

Valeu.